/ Blogs e Colunistas
Por Reinaldo Azevedo
04/12/2014
às 22:04É mentira! O governo federal não repassou R$ 2,6 bilhões para sistema de água de SP. Isso é só distorção do jornalismo “petizado”
Não deixa de ser encantadora a capacidade que tem a máquina petista de fazer com que a versão — falsa! — se imponha aos fatos. Ao longo desta quinta, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas foram bombardeados por uma “notícia” de que se esqueceu de acontecer. Reproduzo abaixo alguns títulos publicados por aí, todos falsos, prestem atenção!
“Dilma repassa R$ 2,6 bilhões a São Paulo para obras contra falta de água”
“Governo de São Paulo receberá R$ 2,6 bilhões da União para obras contra seca”
“União vai repassar R$ 2,6 bilhões para obras em sistema de água em São Paulo”
Vamos ver. Começo pelo menos importante. Não existe obra “contra falta de água” ou “contra seca”. Faz-se uma obra é para abastecer com água, certo? Nesse particular, só o terceiro título listado acima está certo. De fato, trata-se de uma “obra em sistema de água em São Paulo”.
No mais, os três estão errados. Dilma não está “repassando” nada. São Paulo não está recebendo coisa nenhuma! Vamos lá.
O Estado fechou uma PPP — uma parceria público-privada — para a construção do chamado Sistema Produtor São Lourenço. Esse contrato foi celebrado com um consórcio firmado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Elas têm a obrigação de entregar a obra. Como irão financiá-la? Bem, isso é problema delas. No caso, essas empresas — e não o governo — fecharam um contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal.
Digam-me cá: se, em vez da CEF, esse contrato fosse com o Bradesco ou com o Itaú, qual seria o título? “Bradesco repassa R$ 2,6 bilhões para São Paulo”??? Ou: “Governo de SP receberá R$ 2,6 bilhões do Itaú para obras”???
Aí alguém pode perguntar: “Mas o que haveria de errado, Reinaldo, se o governo federal tivesse repassado R$ 2,6 bilhões para São Paulo?” Nada, ué! Não faria mais do que a obrigação, dado o quanto se arrecada de impostos federais no Estado. Ocorre que isso não é verdade, ora essa! Qual é o problema, afinal de contas, em dizer o que de fato aconteceu? No acordo feito com o governo de São Paulo, o consórcio anunciou que faria a obra com recursos próprios. Mas decidiu recorrer a financiamento e fez um acordo com a Caixa em dezembro de 2013.
O governo federal liberou, aí sim, R$ 500 milhões do Orçamento da União para a expansão da Linha 9 de trens da CPTM, no trecho Grajaú-Varginha. Nesse caso, é verdade, a União investe em São Paulo não mais do que alguns tostões, dada a riqueza gerada pelo Estado e pelos trabalhadores que usam os trens.
E isso tudo é apenas um fato.
Comentários
Postar um comentário